SÓ PARA AS QUARENTONAS! O que acontece com o corpo da mulher quando entra na menopausa

Por: Philippa RoxbyRepórter de saúde da BBC News

A menopausa acontece quando a menstruação de uma mulher para e ela não pode mais ficar grávida naturalmente – mas o que mais acontece com seu corpo, e por quê?

Trata-se de um processo natural do envelhecimento, que normalmente ocorre na faixa dos 45 aos 55 anos, mas que também pode ser provocado por cirurgias para remover os ovários ou o útero (histerectomia).

No Reino Unido, a idade média da menopausa é 51 anos; no Brasil , um dos estudos mais completos sobre o assunto, publicado em 2010 pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), calculou uma idade média de 48,1 anos.

E então, o que está por trás destas mudanças?

A menopausa é causada pela redução na produção de hormônios, especificamente o estrogênio.
Ele é crucial para todo o ciclo reprodutivo – o desenvolvimento e a liberação de um óvulo dos ovários a cada mês, e pelo processo de tornar mais espesso o revestimento do útero para recepção do óvulo fertilizado.
Com o passar dos anos, o corpo gradualmente para de produzir o estrogênio. Mas isso não ocorre da noite para o dia: pode levar anos para que esse hormônio chegue a níveis baixos.
Neste processo, o armazenamento de óvulos declina, afetando pouco a pouco a ocorrência da ovulação, menstruação e gravidez.

Qual é o impacto destas alterações hormonais?

Enorme.
O cérebro, pele, músculos e emoções são afetados pela queda dos níveis de estrogênio; ondas de calor, suores noturnos, problemas de sono, ansiedade, mau humor e perda de interesse por sexo são comuns. Problemas na bexiga e secura vaginal também são normais durante esse período.

E muitas mulheres sentem estes sintomas muito antes da menstruação realmente parar – período chamado de perimenopausa.

Quando a produção de estrogênio para por completo, há um efeito de longo prazo nos ossos e no coração. Os ossos podem enfraquecer, aumentando o risco de fraturas, e as mulheres podem se tornar mais vulneráveis a doenças cardíacas e a derrames.

Image captionOssos ficam mais fracos depois da menopausa, trazendo o risco de fraturas
É por isso que algumas mulheres recebem a chamada terapia de reposição hormonal, ou TRH, que eleva os níveis de estrogênio e ajuda a aliviar os sintomas.
Mas nem todas as mulheres passam por estes sintomas. Eles também podem variar em sua gravidade e duração – de alguns meses a vários anos.

O que causa as ondas de calor?

A falta de estrogênio. Ele está envolvido também no controle da temperatura do corpo no cérebro.
Quando este hormônio está em falta, o “termostato” fica instável e o cérebro pensa que o corpo está superaquecendo – quando não está.

O estrogênio afeta o humor também?

Sim, pode acontecer.
O hormônio interage com substâncias químicas em receptores cerebrais que controlam o humor. Em níveis baixos, pode causar ansiedade e mau humor.
A falta de estrogênio também pode afetar a pele, fazendo com que ela fique seca ou dando a sensação como se insetos estivessem rastejando sob a pele.

Há outros hormônios envolvidos na menopausa?

Sim, a progesterona e a testosterona – mas eles não têm o mesmo impacto que os baixos níveis de estrogênio.
A progesterona ajuda a preparar o corpo para a gravidez a cada mês, e diminui quando a menstruação para.
A testosterona, que as mulheres produzem em níveis baixos, tem sido associada ao desejo sexual e aos níveis de energia. Ela declina a partir dos 30 anos, e apenas um pequeno número de mulheres precisa dela em níveis altos.

Como saber se você está passando por esse processo?

É possível fazer um exame de sangue para medir os níveis de um hormônio chamado FSH (hormônio folículo-estimulante) – mas os resultados podem não ser muito precisos, especialmente na idade por volta de 45 anos.

Especialistas dizem que os níveis do hormônio sobem e descem o tempo todo, mesmo ao longo de um dia, então há sempre um risco de o teste ser impreciso.
A melhor maneira de fazer esse diagnóstico é conversar com um clínico geral ou um profissional de enfermagem sobre o padrão de sua menstruação e quaisquer sintomas que você esteja experimentando.

É bom saber quais sintomas observar – sentir-se irritadiça ou com o “astral” baixo pesa tanto quanto os calores e suores noturnos.

Alterações na menstruação, como quando ela torna-se mais intensa ou irregular, são um dos primeiros sinais da menopausa se aproximando.
Mas você só terá certeza de ter chegado à menopausa quando tiver ficado um ano sem menstruar.

E então?

Os níveis de estrogênio no corpo não se recuperam após a menopausa.
Com o aumento da expectativa de vida, as mulheres estão vivendo mais de um terço de suas vidas com deficiência de estrogênio.
Mas não há motivo para ficar intimidada, diz a ginecologista Heather Currie, especialista em menopausa e ex-presidente da Sociedade Britânica da Menopausa.
“As mulheres continuam a trabalhar mais tarde na vida, elas ainda aparentam incríveis. A imagem da menopausa está mudando”.
Seu conselho: “Se você for afetada, visite um médico e leve informações”.
“As mulheres devem saber quais sintomas devem ser observados”.
Ela diz que há muito apoio e informação para ajudar as mulheres a lidar com as mudanças físicas e emocionais que a menopausa traz.
Hoje, a terapia de reposição hormonal é vista como o tratamento mais eficaz disponível para os sintomas da menopausa.
Ela pode causar efeitos colaterais, e houve incertezas sobre a sua segurança a longo prazo.

Mas há evidências de que “os benefícios da TRH superam os riscos”, diz Currie.
Conversar com outras mulheres passando pela menopausa e compartilhar relatos dos mesmos sintomas também é uma ajuda real, acrescenta.
E a menopausa é outra boa razão para as mulheres levarem um estilo de vida saudável, como:

ter uma dieta equilibrada, pobre em gordura e rica em cálcio para fortalecer os ossos e proteger o coração;

praticar exercícios regularmente, reduzindo a ansiedade e o estresse;

parar de fumar, prevenindo doenças cardíacas e ondas de calor;

não beber muito, reduzindo também as ondas de calor.

Publicado por Conect News AM

Professores licenciado em matemática, especialista em mídias para a educação e gestão escolar. Trabalha como repórter da Grupo Rede Amazônica.

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